sábado, 10 de abril de 2010

PROFISSÃO IDEAL

"Se a experiência nos ensina que a profissão que desempenhamos atualmente não é aquela para a qual nascemos, não devemos insistir nela. Se um homem não prospera nos seus negócios, apesar da persevarança no esforço durante um certo tempo, isso constitui prova de que não está no seu lugar."

"Cada pessoa, cada ser humano, tem o seu lugar indicado no concerto das atividades humanas e aquele que se achar desgostoso e impotente no lugar onde se encontra deve buscar logo um lugar que melhor lhe convenha e melhor se ajuste às suas aptidões naturais. O homem pode empreender qualquer tarefa, virar-se para o lado que quiser, mas um dia será forçado a trilhar o caminho que para ele a natureza traçou."

"O homem ansioso de vencer deve dedicar-se inteiramente à sua profissão, procurando continuamente aperfeiçoar-se nela. Poucas esperanças de prosperidade e fortuna podem caber àqueles que desperdiçam tempo e energias em ocupações provisórias, ao invés de se deterem na profissão mais de acordo com suas aptidões naturais. Aprender a fazer uma só coisa com a mais absoluta perfeição e no menor tempo - eis uma das chances de êxito em qualquer profissão"

"Quando o homem encontra o seu justo meio no mecanismo social, ainda que tardiamente, caminha rapidamente pela estrada do sucesso."


* Trechos do livro Direção e Liderança, do Prof. Alberto Montalvão

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Viví tantos momentos.Não imaginava um dia...Será que já estava...?

JURAMENTO

Ao ingressar na polícia militar do Amazonas prometo, regular minha conduta, e pelos preceitos da moral cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a quem estiver subordinado, dedicarmi inteiramente ao serviço policial militar, a manuntenção da ordem pública e a segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Que vida louca!


Naquela tarde, o sol estava a pino; o calor, insuportável. Eu era o patrulheiro de uma guarnição tática. Nossa barca patrulhava a periferia. A viatura deslocava bem devagar, espremida numa viela; os retrovisores quase tocavam nos barracos.

De repente, a uns vinte metros do lado esquerdo da viatura, vejo um indivíduo correndo. A mente do policial já está condicionada: Se correu, é suspeito. Digo ao Cabo Luciano:

- Correu, correu! Pára! Um cara aqui ao lado saiu vazado quando viu a viatura.

Imediatamente, a viatura foi parada. Desembarcamos defronte a um barraco, onde, na entrada, encontrava-se uma menina de cerca de nove anos. Ela nos olhou assustada. Ao ser questionada, logo entregou que fora o pai dela quem havia evadido.

Sem demora, iniciamos as buscas num terreno baldio adjacente ao barraco. Cinco minutos e nada. O Sargento Augusto, comandante da guarnição, começou a gritar, blefando e fazendo pressão psicológica. Nada. De súbito, quando estávamos quase desistindo, o sargento viu o indivíduo deitado no chão. Imediatamente procedemos a abordagem verbal, determinando que ele colocasse as mãos na cabeça, se levantasse... Feita a busca pessoal, nenhum objeto ou substância ilícita foi encontrada.

Ainda no terreno baldio, no meio de um pequeno matagal, o indivíduo repetia e repetia que estava ali havia alguns minutos, vigiando uma galinha chocar. O Sargento Augusto insistiu em indagar por que ele havia corrido. O suspeito, um senhor de aproximadamente sessenta anos, rendeu-se aos questionamentos e assumiu que apenas havia se assustado ao ver a viatura. Ora, ninguém foge da polícia sem motivo. Era certo que ele estava devendo.

Fomos à sua casa. Se do lado de fora o barraco sem reboco e sem janela já não era bonito, no interior o cenário era ainda mais desolador. Apenas um cômodo, piso de cimento grosso cheio de buracos e todo sujo, roupas espalhadas pela casa, comida azeda no fogão e aquela menina de cabelos despenteados que não parava de chorar.

Reviramos a casa e nada. Alguma coisa estava errada. Ninguém corre à toa. O cara só podia estar pedido. O Sargento Augusto perguntou ao suspeito se ele era foragido. Ele tremeu. Tentou se esquivar da resposta, mas em seu semblante podíamos ver que fora esse o motivo de ele ter corrido. Para confirmar, o sargento consultou o prontuário criminal do indivíduo no COPOM. O despachante pediu para repetir o nome. A resposta veio confirmando o tirocínio policial. O sujeito era fugitivo da cadeia pública da cidade, onde cumpria pena por homicídio culposo.

O indivíduo não parecia ser perigoso, pelo contrário. Perguntei-lhe sobre o motivo de ele ter sido condenado e ter fugido da prisão. Assim ele me respondeu:

- Foi uma tremenda falta de sorte. Eu estava na igreja com minha esposa, que na época estava grávida dessa menina. Chegou um cidadão embriagado com um pedaço de pau na mão e começou a xingar todo mundo, reclamando do som alto. Minha esposa foi conversar com ele, pedindo calma, mas ele tratou ela com falta de respeito e tentou agredir ela. Eu não aceitei, nós brigamo, eu tomei o pedaço de pau e dei na cabeça dele. Por azar, ele tinha platina na cabeça e morreu. Eu fui preso. Minha esposa morreu no parto da menina. Quando o juiz me deu benefício do dia das mães, eu não voltei pra cadeia. Tinha que cuidar da menina e dos outros dois que ainda estavam pequenos. Tem mais de cinco anos que eu tava foragido. Agora os senhores me pegaram. Eu sou trabalhador, faço tudo pelos meus filhos. Minha filha mais velha tem dezesseis anos e começou a trabalhar ontem em um salão de beleza pra me ajudar a cuidar dessa menina e do outro menino. O senhor tá vendo a casa assim, mas é porque eu não tenho tempo. Sou pedreiro, trabalho o dia inteiro. Meus vizinhos que tomam conta da menina quando tô trabalhando. Eu sou trabalhor, Seu Polícia.

O indivíduo realmente parecia trabalhador. Inclusive os vizinhos foram unânimes em dizer que ele só vivia para os filhos, que era um bom pedreiro e que era honesto. Antes de o colocarmos dentro da viatura, ele tirou uma nota de cinquenta reais e disse para a filha:

- Toma. É o dinheiro que o pai tem.

A garotinha se pôs aos prantos, começou a me puxar e disse:

- Por favor, moço, não leva meu pai, não. Eu já perdi minha mãe; como que vou ficar sem meu pai agora.

Meu coração quase partiu; me deu um nó na garganta. Mas não tínhamos escolha e, mesmo se tivéssemos, não sei...

Em seguida, nos dirigimos à delegacia, onde o foragido voltou para trás das grades. Talvez aquele não fosse o seu lugar. Tudo indicava que ele nunca mais iria cometer nenhum crime. Mas não cabe a nós policiais militares fazer julgamentos. Apenas cumprimos a letra fria da lei.

Às vezes, me recordo dessa ocorrência e penso se a justiça não é falha, se a lei não é fria demais. Quem errou deve ser punido, mas vendo tantos bandidos se beneficiando de lacunas legais, reflito se o certo seria aquele homem ter voltado para a prisão. Reflito sobre o que representou e representará para a menina, daquele momento em diante, o tom azulão da nossa farda, já que, apesar da obrigação de cumprir o nosso dever, talvez retiramos dela a única chance de chegar a algum objetivo na vida e quiçá de matar a sua fome e a dos seus irmãos a partir daquela tarde.